Conheça Richard Browning o verdadeiro Homem de Ferro

Conheça Richard Browning o verdadeiro Homem de Ferro  

Por Edezio Silva

Quando a tecnologia imita o cinema

O ser humano sempre foi fascinado pelo sonho de voar, Santos Dummont, Dédalo e Ícaro que o digam.

Esse desejo sempre foi forte no inglês Richard Browning, ex-soldado e agora empresário da Gravity, empresa criada por ele para desenvolver e fabricar os poderosos “jets” bastante parecidos por aqueles usados pelo Homem de Ferro da Marvel.

Há alguns anos atrás Browning começou a pesquisar equipamentos e dispositivos capazes de promover a propulsão do corpo humano, necessária para, literalmente, fazer uma pessoa decolar.

Após averiguar o assunto, descobriu que poucos laboratórios de universidades com algum recurso estavam desenvolvendo projetos na área de propulsão de pessoas. Foi então que decidiu botar a mão na massa e criar o seu próprio jet.

Foram dois anos e meio de experimentos, testes fracassados e muito barulho de martelos, parafusadeiras e outras ferramentas. Ele tentou voar com asas e motores de ventoinhas elétricas, trabalhando fins de semana e noites adentro. Foi tanta a “zoeira”, de enlouquecer, que sua esposa implorou para ele parar com o projeto.

No entanto, é difícil parar um sonhador determinado.

O resultado de tanta balbúrdia foi lançado no último mês de março e se chama Daedalus. Uma roupa futurística com todos os mecanismos de acionamento e operação dos propulsores que fazem o homem sair do chão.

Conheça o Daedalus

De acordo com Browning não demora mais do que 20 minutos o processo de aprendizagem de como pilotar o Daedalus. Para ele, qualquer pessoa fisicamente bem-dotada pode utilizar o dispositivo.

Com 6 turbinas a gás, duas em cada braço e duas nas costas para garantir o equilíbrio, e impulso combinado de 130 kgf (quilograma força), a roupa é uma espécie de exoesqueleto leve.

Dois tanques iguais de combustível garantem um voo de cerca de 12 minutos. Um display transmite os níveis de combustível através de uma conexão Wi-Fi.

Nos pés Browning usa botas ultraleves e resistentes para assegurar uma decolagem e pouso suaves.

Para dar início ao processo de flutuação o inglês liga os propulsores dos braços e os aponta para baixo para criar um impulso inicial. Depois aciona as turbinas das costas para garantir um contrapeso capaz de assegurar o equilíbrio. Esticando os braços para frente seu corpo é deslocado para baixo. Se quiser mais velocidade, ele puxa os braços e empurra seu peito para frente.

Quanto custaria flutuar como o Homem de Ferro?

Já existem interessados em pagar entre 970 mil a 1,36 milhões de reais para poder brincar de Homem de Ferro.

Mas a despeito desse interesse todo a ideia de Browning é utilizar o Hover mais como um equipamento de demonstração e diversão para as pessoas.

Uma dessas demonstrações será feita em junho deste ano em um vento em parceria com a Red Bull (Será que ela dá asas mesmo?).

Do helicóptero aos drones

Ficar suspenso no ar não é nenhuma novidade desde que diversos inventores pelo mundo desenvolveram o helicóptero.

Os primeiros experimentos nessa área começaram em 1907 com o francês Paul Cornu que projetou e pilotou um helicóptero de rotor duplo que subiu cerca de 30 centímetros do chão, pairando no ar algo em torno de 20 segundos. Embora alguns estudiosos duvidam que ele realmente tenha conquistado esse feito como o próprio registrou, historiadores franceses afirmam que 13 de março de 1907 foi um marco para a história da aviação mundial, com o feito de Cornu.

Por sua vez o espanhol De La Cierva é considerado por muitos o pai do helicóptero. Seus voos no início dos anos 1920 são considerados uma marca para a história da aviação. De La Cierva foi pioneiro no uso de pás de rotor articuladas para impedir que o veículo se incline, além de criar controles operacionais para o movimento lateral, o passo e a guinada.

Naqueles tempos não havia a tecnologia que temos hoje. Agora os chamados estabilizadores computadorizados assistidos por giroscópio fazem drones subir a toda hora em vários cantos do mundo.

Sem mencionar que milhares de helicópteros dos mais variados tipos e projetados para as mais variadas tarefas transportam pessoas e equipamentos para todo lado.

 A invenção do Hover que realmente flutua

Depois dos aviões e dos helicópteros o chamado Hover (em inglês, flutuador) é a mais recente tentativa humana de voar.

Quem não se lembra do segundo episódio da trilogia “De Volta Para o Futuro” dos anos 1980, em que o personagem Marty Mcfly apanha um skate futurístico e passa a usá-lo como equipamento de fuga? Pois é, aquele skate que flutua em qualquer direção, chamado no filme de Hoverboard, ainda não foi inventado.

Mas, já existe algo parecido com aquilo.

A empresa Arcaboard do designer Dumitru Popescu criou uma máquina levantada por 36 duto-ventiladores elétricos com um impulso máximo de 200 kgf (430 libras) que flutua para cima, para os lados, para a frente e para trás.

Com 272 HP de potência esses duto-ventiladores, baterias e controladores, ocupam 90% do espaço físico do Arcaboard o que gera uma grande quantidade de calor que é dissipada por um poderoso cooler.

A empresa garante que com os 36 duto-ventiladores é possível flutuar com segurança com o equipamento, mesmo numa eventual falha de alguns motores.

Ele tem uma unidade de estabilização interna que permite que o usuário possa flutuar com estabilidade em qualquer condição. Você seria capaz de utilizar o telefone para o controle e navegação do veículo, proclamam os inventores.

Fontes:

http://gravity.co/ http://www.wired.co.uk/article/real-life-iron-man-richard-browning https://www.youtube.com/watch?v=DafoDiRvGLM //www.redbull.com http://www.skywindpower.com/ http://www.arcaspace.com/en/arcaboard.htm https://www.cnet.com/news/iron-man-daedulus-exoskeleton-richard-browning-red-bull-gravity/