Despencam Os Preços De Produção De Energia Solar E Eólica

Despencam Os Preços De Produção De Energia Solar E Eólica

Por Edezio Silva  

Os custos de infraestrutura das energias renováveis estão em queda

Um dos desafios mais importantes para os investidores nos próximos anos é interagir com um ambiente de oportunidades de baixo rendimento, combinado com a necessidade crescente de grandes quantidades de capital para atender às responsabilidades em ascensão é o que diz o último handbook de energias renováveis do Fórum Econômico Mundial, lançado em dezembro último.

Tais desafios devem ser combinados com a necessidade de enfrentamento de fatores como o aquecimento global e suas consequências danosas para a economia e para todos nós.

Uma boa notícia, no entanto, é que, pela primeira vez na história da humanidade, os custos da infraestrutura necessária para a produção de energias renováveis, está se tornando viável a ponto de fazer com que essas fontes sejam um importante aliado no combate ao aquecimento global.

Energia solar e eólica se tornam mais eficientes e competitivas

Altos custo e risco sempre foram vilões no avanço do investimento em infraestrutura das energias renováveis. Investidores institucionais sempre estiveram à procura de investimentos associados a baixo custo e baixo risco. Os investimentos para a infraestrutura das energias renováveis nunca estiveram alinhados com essa visão empresarial.

Energias renováveis sempre foram consideradas arriscadas demais devido ao fraco desenvolvimento tecnológico desse setor até há cinco atrás.

Não é mais assim de acordo com o Fórum Econômico Mundial. Especialmente a energia solar e eólica atingiram, nos últimos anos, ganhos exponenciais de eficiência, suficientes para atingir competitividade econômica.

Em muitos casos, essas duas fontes de energia apresentam preços paritários com os preços da energia vendida pelas concessionárias de energia pelo mundo.

Por exemplo, o Custo Nivelado da Eletricidade (sigla em inglês LCOE), não subsidiado, para a energia solar fotovoltaica, diminuiu em 20% ao ano, tornando-a não só viável, mas, também, mais atraente do que o carvão em vários países do mundo.

O Custo Nivelado de Eletricidade (LCOE) é calculado contabilizando todos os custos esperados ao longo da vida de uma usina, incluindo construção, financiamento, combustível, manutenção, impostos, seguros, incentivos e inflação. O valor total é dividido pela potência (kWh) que será produzida durante a vida útil do sistema.

Até 2020 a energia solar fotovoltaica terá um LCOE menor do que a geração de energia por carvão e gás natural.

Riscos político e regulatórios às energias renováveis

São apontados, também, o risco político e regulatórios como entraves ao direcionamento de investimentos para as energias renováveis, principalmente, nos mercados emergentes como o Brasil.

Recentemente, o BNDES anunciou que haverá elevação do crédito para a energia solar no Brasil e, também, um decréscimo da participação do banco na produção de energia com utilização de fontes poluentes, tais como hidrelétricas e termelétricas.

Com essa medida os custos devem cair para equipamentos fabricados no Brasil e que são parte fundamental no processo de geração de energias renováveis, painéis solares e inversores, entre eles.

Caem os custos de produção

Nos últimos cinco anos a eficiência dos painéis solares cresceu de 15% para 22%, depois de duas décadas de estagnação. A eficiência da célula solar refere-se à porção de energia sob a forma de luz solar que pode ser convertida através de energia fotovoltaica em eletricidade.

Os fatores de capacidade para as turbinas eólicas cresceram cerca de 25% na última década. O fator de capacidade de uma usina de geração de energia elétrica é a proporção entre a produção efetiva da usina em um período de tempo e a capacidade total máxima neste mesmo período.

A despeito desse crescimento da eficiência tecnológica das energias renováveis, ainda hoje a matriz energética mundial possui o carvão e o gás natural representando 62% da geração total.

Os avanços nos processos de fabricação e economias de escala reduziram os custos de produção. Em relação a energia solar, por exemplo, os custos são em grande parte impulsionados pelos custos do painel que foi beneficiado pelo que se chama de “alta taxa de aprendizado” (Redução de preços para cada duplicação da capacidade de produção).

Isso significa dizer que, hoje, os fabricantes de painéis solares fazem mais e melhor em menos tempo o que reduziu os preços em 80%, desde 2009.

Os preços das turbinas eólicas caíram 30%, nos últimos três anos.

O Custo Nivelado da Eletricidade (LCOE)

Os ganhos de eficiência e a redução dos custos de produção fizeram com que o LCOE da energia solar caísse de US$600/MWh para US$100/MWh em dez anos.

O LCOE do carvão, também, gira em torno de US$100/MWh, porém, a tendência é que hajam aumentos nos preços de se produzir energia com esse insumo.

O LCOE das usinas eólicas gira em torno de US$50/MWh.

Em muitos países do mundo está mais barato produzir energia a partir de fontes renováveis, como solar e eólica, do que com o carvão. A estimativa indica que mais de 30 países atingiram a paridade de preços, sem subsídios, com as concessionárias de energia.

O Deutsche Bank indica que se o preço da energia subir 3% ao ano, cerca de 80% do mercado global irá atingir a paridade com as concessionárias, nos próximos 2 anos.

Caem os preços das baterias e dos sistemas de estocagem de energia

Impulsionadas pelo crescimento do mercado de carros elétricos, o preço médio das baterias despencou de U$1.000/kWh em 2010, para US$350/kWh em 2015, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP).

Novas quedas de preço estão sendo esperadas à medida em que os carros elétricos se tornarem mais populares e que haja um maior crescimento da produção de baterias.

A Tesla Motors lançou, recentemente, a segunda geração do Powerwall e Powerpack, que são dispositivos contendo bateria estacionária para armazenamento de energia elétrica.

Países em desenvolvimento lideram os investimentos

Os países em desenvolvimento representaram a maior parte do investimento em energias renováveis (US$ 156 bilhões) em 2015, com China (US$ 102,9 bilhões), Índia (US$ 10,2 bilhões) e Brasil (US$ 7,1 bilhão).

Os mercados desenvolvidos investiram US$ 130 bilhões em 2015, liderados pela Europa (US$ 48,8 bilhões), os Estados Unidos (US$ 44,1 bilhões) e o Japão (US$ 36,2 bilhões).

Fontes:

http://www3.weforum.org/docs/WEF_Renewable_Infrastructure_Investment_Handbook.pdf http://energiaheliotermica.gov.br/pt-br/glossario/lcoe