Fortes Sinais de Rádio Estão Vindo de Uma Galáxia Muito Muito Distante

Fortes Sinais de Rádio Estão Vindo de Uma Galáxia Muito Muito Distante

Por Edezio Silva  

Sinais poderosos intrigam cientistas

Rápidas explosões de rádio vindas de uma galáxia anã, distante cerca de três bilhões de anos-luz da Terra, estão sendo captadas por uma rede global de poderosos telescópios.

De acordo com a revista National Geographic essas explosões foram, inicialmente, detectadas em 2007, quando um astrofísico estava estudando dados arquivados coletados pelo Observatório Parkes em Nova Gales do Sul, Austrália. Ele notou que, em 24 de agosto de 2001, o telescópio detectou uma erupção de energia estranhamente poderosa que durou apenas cinco milissegundos.

Inicialmente céticos em relação ao estranho evento, alguns astrônomos ponderaram que poderia ser uma interferência produzida nas imediações do observatório, como, por exemplo, ovelhas chocando-se contra cercas elétricas.

As dúvidas continuaram a crescer quando os astrônomos de Parkes descobriram que outra série de sinais semelhantes tinham sido produzidas por um forno de micro-ondas.

 

Os sinais de rádio vieram do espaço

Observações posteriores, no entanto, provaram que o fenômeno, denominado pelos cientistas de rápidas explosões de rádio (em inglês fast radio burst (FRB)), realmente se originara no espaço.

O astrônomo Shamibrata Chatterjee da Cornell University, um dos que localizou a explosão enigmática, disse em tom irônico, que as teorias a respeito da origem dessas explosões superam, ainda hoje, a quantidade dos eventos registrados. Chatterjee estima que são registrados, por dia, entre 5 a 10 mil explosões que ocorrem por meros milissegundos.

Quanto à sua origem exata, até então, eram muitas as possibilidades. Alguns disseram que as explosões são o resultado de densas estrelas de nêutrons - remanescentes de estrelas maciças que passaram a ser supernovas - colidindo entre si ou com cometas. Outros dizem que os sinais de rádio poderiam ser chamas liberadas por estrelas de nêutrons de alta rotação, altamente magnéticas chamadas magnetares. Ou, as explosões podem ser o último grito de morte de estrelas desmoronando em buracos negros.

Aliens poderiam estar emitindo os sinais de rádio

Como não poderia deixar de ser alguns astrônomos chegaram a especular que as FRB´s poderiam estar sendo transmitidas por alienígenas. Uma equipe de astrônomos sugeriu ter identificado um padrão matemático que se repetia nas explosões, porém essa informação se tornou muito confusa a medida em que mais e mais dados foram coletados.

As dificuldades para determinar a origem exata das emissões

Em última análise, os cientistas esperavam que, ao encontrar a localização precisa de uma rápida explosão de rádio, eles viriam a obter pistas valiosas sobre suas origens. Se, por exemplo, eles encontrassem uma em uma velha galáxia cheia de estrelas mortas e moribundas, isso daria credibilidade à teoria de colisão entre estrelas de nêutrons.

As explosões de rádio foram incrivelmente difíceis de identificar, em parte porque elas são extremamente rápidas e, também, porque as erupções pareciam estar em todo o lugar. Os telescópios de rádio precisam ser apontados para o lugar certo, precisamente no momento certo para detectá-las. Além do mais, as imagens capturadas por um único radiotelescópio não ofereceram muitos detalhes. Para isso, os astrônomos precisaram de um grupo de antenas trabalhando juntas - e muito poder de computação para processar os dados.

Felizmente, Chatterjee e seus colegas fizeram uma descoberta há alguns anos que mudou tudo: um novo objeto, chamado FRB 121102, estava transmitindo sinais repetidamente de uma galáxia anã e não de uma galáxia maior, o que foi surpreendente.

Telescópio de um prato.

O National Radio Astronomy Observatory explicou em um comunicado

“Todas (as FRB´s) foram descobertas usando telescópios de rádio de um único prato que são incapazes de apurar, a localização do objeto, com precisão suficiente para permitir que outros observatórios identifiquem seu ambiente hospedeiro ou para encontrá-las em outros comprimentos de onda. Ao contrário de todos os outros, no entanto, uma [FRB], descoberta em novembro de 2012 no Observatório Arecibo em Porto Rico, tem se repetido inúmeras vezes.

As explosões repetidas deste objeto, chamado FRB 121102 após a data da explosão inicial, permitiu aos astrônomos observarem o evento usando o Very Large Array (VLA), um sistema de radiotelescópio multi antena com um poder de resolução, e habilidade de ver detalhes refinados, necessários para determinar com precisão a localização do objeto no céu.

Em 83 horas de observação ao longo de seis meses em 2016, o VLA detectou nove explosões vindas da FRB 121102.”

Esse conjunto de nove explosões não tinha precedentes nesse tipo de estudo. Ele deixou os astrônomos estreitarem a posição do FRB 121102 com muita precisão. Eles usaram o telescópio Gemini North no Havaí para fazer uma imagem de luz visível que identificou uma galáxia anã fraca na localização das explosões e determinou que a galáxia anã está a mais de 3 bilhões de anos-luz da Terra.

Além de detectar as rajadas brilhantes do FRB 121102, as observações do VLA também revelaram uma fonte persistente de emissão de rádio mais fraca na mesma região.

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Fontes:

http://earthsky.org/space/breakthrough-fast-radio-burst-home-galaxy-pinpointed by Deborah Bird http://news.nationalgeographic.com/2017/01/fast-radio-bursts-galaxy-frb-121102-black-hole-space-science/ By Marck Strauss www.futurism.com