Transformando Marte Em Um Novo Lar Para Os Seres Humanos

Transformando Marte Em Um Novo Lar Para Os Seres Humanos

Por Edezio Silva

Michiu Kaku e os três tipos de civilização

O futuro dos seres humanos e a própria perpetuação de nossa espécie depende de nossos avanços no desenvolvimento de tecnologias capazes de nos transformar em uma civilização do Tipo 1, de acordo com a escala formulada pelo físico teórico Michiu Kaku.

De acordo com Kaku uma civilização do Tipo 1, seria aquela capaz de controlar todos os tipos de energia existentes em um planeta. Esses seres poderiam controlar o clima, manipular terremotos, maremotos, vulcões. Buck Rogers e Flash Gordon fariam parte de uma civilização do Tipo 1.

Uma civilização do Tipo 2 controlaria a energia de uma estrela. Eles brincariam com as estrelas, no sentido de que fariam dessas o que bem entendessem. Nem mesmo a morte de seu sol poderia afetar uma civilização como essa. Seria simples para uma civilização desse tipo mudar seu planeta de lugar em busca de outros sóis, ou reacender sua estrela morta. Eles seriam seres imortais. Nada conhecido pela ciência poderia destruir uma civilização do Tipo 2. Eras glaciais poderiam ser modificadas, meteoros e cometas poderiam ser defletidos. A Federação de Planetas, de Jornada nas Estrelas, seria um exemplo de civilização do Tipo 2.

Uma civilização do Tipo 3 seria aquela capaz de controlar a energia de uma galáxia. Seria capaz de controlar a energia Planck. Essa energia foi teorizada pelo físico alemão Max Planck e pode ser compreendida como o ponto em que o espaço se torna instável devido ao aquecimento. A analogia pode ser feita com a água fervendo dentro de um micro-ondas. Ao ser aquecida ao ponto de fervura a água começa a ficar instável e bolhas são formadas em seu interior. A energia de Planck sendo aplicada ao espaço formaria bolhas dentro do próprio espaço. Essas bolhas seriam como rasgos no espaço tempo, seriam o que os físicos teóricos denominam como buracos de minhoca por onde seria possível entrar em dimensões paralelas à nossa.

O espaço poderia ser modificado, por uma civilização do Tipo 3, para que buracos de minhoca e portais intergalácticos surgissem e pudessem ser usados como “túneis de fuga” para outras dimensões, em caso de destruição do universo em que vivemos.

O projeto de colonização de Marte

Na hipótese de um evento catastrófico, como a queda de um asteroide de grandes dimensões sobre a Terra, poucas seriam as chances de sobrevivência dos seres humanos.

Uma das formas de salvar a espécie humana de um provável futuro impacto de um corpo celeste descomunal seria colonizar outros planetas. Marte é o planeta mais próximo de nós capaz de abrigar seres humanos.

O bilionário Elon Musk, inclusive, tem planos ambiciosos de povoar Marte e pesquisadores e cientistas de sua empresa SpaceX já desenvolvem esse projeto de colonização.

Mas, como fazer com que Marte tenha características capazes de permitir que a vida se desenvolva naturalmente, tal como ocorre na Terra?

Transformando Marte em um planeta habitável

Primeiramente teríamos que criar uma atmosfera semelhante à da Terra em Marte. A pressão atmosférica em Marte hoje é menor que 1% da que ocorre por aqui, o que faria com que um ser humano, sem proteção especial, simplesmente, explodisse, tal como se estivesse no espaço.

Por não ter uma atmosfera espessa e um campo magnético, Marte é muito mais exposto à radiação solar e cósmica, o que faria com que os seres humanos, sem nenhuma proteção especial, ficassem expostos a lesões de pele e a problemas de saúde como o câncer.

A atmosfera em Marte é irrespirável para um ser humano, sendo composta de 96% de dióxido de carbono, 1,93% de argônio e 1,89% de nitrogênio e pequenas porções de oxigênio (0,1% ou menos) e vapor de água (0,1%).

A temperatura no verão marciano pode chegar a 27°C, durante o dia. Nos polos a temperatura pode atingir -133°C, sendo que a média é de -55°C.

Marte é um planeta mais seco que o pior deserto existente na Terra.

Apesar das suspeitas de que contenha água em estado sólido sob a superfície dos polos e em determinados locais pelo planeta vermelho, o fato é que a ausência de água seria um grande problema para possíveis terrenos em Marte.

De um modo geral, portanto, Marte é um planeta seco, frio, com uma atmosfera muito fina sujeita a intensas radiações maléficas e irrespirável.

Portanto, são necessárias graves transformações nesse ambiente inóspito para fazer com que a vida prospere em condições naturais.

A primeira dessas mudanças seria aumentar a espessura da atmosfera marciana de forma a reter mais calor e aumentar a pressão atmosférica. Uma ideia defendida pela Nasa seria vaporizar as calotas polares marcianas.

Tais calotas polares são feitas basicamente de gelo ou dióxido de carbono ou dos dois. Com a vaporização das calotas, a quantidade de vapor de água e dióxido de carbono na atmosfera seria aumentada.

Um acréscimo, principalmente de vapor de água, na atmosfera marciana, iria aumentar a retenção de calor na superfície de todo o planeta, devido ao efeito estufa.

Essas calotas polares poderiam ser sublimadas por espelhos posicionados nas proximidades das mesmas para intensificar a luz do sol e assim vaporizara-las, de acordo com os fundadores da Mars Society, doutores Robert M. Zubrin e Christopher P. McKay do Ames Research Center da Nasa.

As opções para o aumento da atmosfera marciana

Armas termonucleares, também, poderiam vaporizar as calotas polares marcianas.

Espelhos poderiam ser colocados em órbita para intensificar os raios solares sobre a superfície marciana de forma a derreter os chamados pergissolos que são constituídos de terra, gelo e rochas permanentemente congelados. Com o tempo, o derretimento desses solos especiais, formaria mares pelo planeta.

Asteroides com as adequadas dimensões poderiam ser deslocados para atingir a superfície de Marte e provocar a elevação de poeira na atmosfera marciana propiciando aumento da temperatura, também pelo efeito estufa.

Determinados compostos de flúor, denominados de super gases de efeito estufa poderiam ser levados da Terra para o planeta vermelho para provocar aquecimento.  Alguns componentes desses compostos poderiam ser extraídos do próprio solo marciano após uma colonização tenha sido implementada.

Metano e outros hidrocarbonetos também poderiam contribuir com o aquecimento marciano. Eles poderiam ser transportados da lua Titan de Saturno onde ocorrem em grande escala ou poderiam ser extraídos do subsolo marciano, caso sejam confirmadas as indicações nesse sentido feitas pela rover Curiosity da Nasa.

A engenharia genética necessária

Um organismo vivo para sobreviver em Marte, nos dias atuais, precisaria preencher certos requisitos. Primeiramente ele deveria ser capaz de sobreviver sem oxigênio. Depois suportar extrema radiação ultravioleta e sequidão. Deve ter alta taxa de crescimento, coisa de minutos, e deve ser capaz de suportar fortes ventos e suas consequentes modificações ambientais e de temperatura.

Nada conhecido pelo homem poderia sobreviver e procriar em condições tão extremas. Portanto, determinados organismos necessários para o desenvolvimento da vida deveriam ser geneticamente modificados em laboratório na Terra para se desenvolverem em Marte.

Novas espécies de organismos fotossintéticos, muito melhor adaptados ao crescimento no ambiente marciano atual ou modificado deveriam ser "melhor ajustados". Tal engenharia genética é possível, utilizando métodos de manipulação de genes atualmente conhecidas ou em desenvolvimento na Terra.

Tais organismos seriam introduzidos em Marte para produção de oxigênio naquele planeta.

Quando o nível de oxigênio se tornar mais favorável à vida terrestre, o solo estaria pronto para receber sementes e grãos.

Assim sendo, alterando o ambiente marciano ou introduzindo organismos capazes de realizar fotossíntese, ou ambos, seriam reduzidos, significativamente, o tempo necessário para criar um habitat humano em Marte.

Fontes:

https://ntrs.nasa.gov/archive/nasa/casi.ntrs.nasa.gov/19770005775.pdf https://futurism.com/images/terraforming-mars-practical-guide/ https://www.youtube.com/watch?v=7JhiFPUHvug http://www.universetoday.com/113346/how-do-we-terraform-mars/ https://www.youtube.com/watch?v=tRB2dfKdbwo https://en.wikipedia.org/wiki/Martian_polar_ice_caps