Selic a 13,75%: o que a queda dos juros muda na sua poupança, nos investimentos e nas dívidas
O Copom cortou a Selic para 13,75%. Entenda de forma simples o que muda na poupança, na renda fixa e nos empréstimos, com exemplos em reais.
O Banco Central fez mais um corte na taxa básica de juros. Entenda de forma simples o que é a Selic, por que ela mexe com o seu dinheiro e o que observar daqui para frente, com exemplos em reais.
Toda vez que o Banco Central mexe na Selic, o assunto aparece no jornal, nas redes e nos grupos de WhatsApp. Mas o que essa mudança tem a ver com o dinheiro guardado na poupança, com o financiamento do carro ou com a fatura do cartão?
Em 16 de setembro de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, um corte de 0,25 ponto percentual, segundo o InfoMoney. Neste artigo, explicamos o que isso significa na prática, sem economês.
O que é a Selic, em uma frase
A Selic é a taxa básica de juros da economia: funciona como o “preço do dinheiro” no país e serve de referência para quase todos os outros juros, tanto os que você recebe quando investe quanto os que você paga quando pega um empréstimo.
Pense na Selic como a temperatura de um forno. Quando a inflação está alta, o Banco Central “aumenta o fogo” dos juros: o crédito fica mais caro, as pessoas compram menos a prazo e os preços tendem a subir mais devagar. Quando a inflação dá sinais de controle, ele vai “baixando o fogo” aos poucos, para a economia voltar a girar.
O que muda na poupança
A poupança tem uma regra própria: sempre que a Selic está acima de 8,5% ao ano, ela rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), o que dá cerca de 6,17% ao ano, mais a TR. Como a Selic continua bem acima de 8,5%, o corte para 13,75% não muda o rendimento da poupança.
Já os investimentos de renda fixa atrelados à Selic ou ao CDI, como o Tesouro Selic e muitos CDBs, acompanham a taxa. Veja um exemplo simplificado com R$ 10 mil aplicados por um ano:
| Poupança | Aplicação que rende 100% da Selic | |
|---|---|---|
| Rendimento bruto em 1 ano | cerca de R$ 617 (mais a TR) | cerca de R$ 1.375 |
| Imposto de Renda | Isenta | 17,5% sobre o lucro (prazo de 1 ano) |
| Rendimento líquido aproximado | cerca de R$ 617 | cerca de R$ 1.134 |
E o que o corte de 0,25 ponto muda nessa conta? Em R$ 10 mil, a diferença entre uma Selic de 14% e de 13,75% é de cerca de R$ 25 brutos por ano. Ou seja, um corte pequeno tem efeito pequeno. O que pesa é a sequência de cortes ao longo do tempo.
Os valores são simulações educativas, consideram a Selic constante durante todo o período e não incluem taxas. Rendimentos reais variam. Este conteúdo não é recomendação de investimento.
Outro conceito importante é o juro real: o quanto o seu dinheiro rende acima da inflação. Se uma aplicação rende 12% em um ano e a inflação do período é de 5%, o seu poder de compra cresceu cerca de 7%, e não 12%. É por isso que analistas falam tanto da diferença entre a Selic e a inflação: com juros reais altos, guardar dinheiro rende mais, mas o crédito também pesa mais para empresas e famílias.
O que muda nas dívidas e no crédito
Para quem tem dívidas, a queda da Selic é uma boa notícia, mas chega devagar. Os juros do cartão de crédito, do cheque especial e dos empréstimos pessoais dependem também do risco de inadimplência, dos custos dos bancos e da concorrência. Por isso, costumam cair mais lentamente do que a Selic.
Um exemplo do dia a dia: se você está pensando em financiar um carro ou uma reforma, a tendência é que as condições melhorem aos poucos à medida que os cortes se acumulam. Para quem já está no rotativo do cartão ou no cheque especial, porém, os juros continuam muito altos, e trocar essa dívida por uma mais barata, como um empréstimo consignado ou uma renegociação, segue sendo um caminho a considerar.
O que vem pela frente
No comunicado de setembro, o Copom não indicou os próximos passos e disse que vai decidir com base nos dados. Segundo o InfoMoney, a mediana das projeções do mercado no boletim Focus aponta a Selic estável em 13,75% até o fim de 2026, enquanto algumas casas de análise ainda esperam um novo corte. Entre os fatores citados como risco estão as eleições, a alta do petróleo e o cenário de juros no exterior.
As próximas reuniões do Copom estão marcadas para 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro de 2026, segundo o calendário do Banco Central. A decisão é sempre anunciada no fim do segundo dia.
Conclusão
A Selic a 13,75% ainda é uma taxa alta, e é por isso que a renda fixa continua rendendo bem e o crédito continua caro. O corte de setembro é pequeno no bolso, mas sinaliza uma direção. Para o seu dinheiro, a lição é acompanhar as próximas decisões, entender como cada aplicação reage aos juros e, se tiver dívidas caras, aproveitar o momento para reorganizá-las. Use a nossa calculadora de juros compostos para fazer as suas próprias simulações.
Ficou com alguma dúvida sobre a Selic? Deixe nos comentários e compartilhe este artigo no WhatsApp com quem ainda acha que juros é coisa só de economista.
Fontes: InfoMoney (decisão do Copom de 16 de setembro de 2026 e projeções do mercado) e calendário do Copom divulgado pelo Banco Central. Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento.
Conteúdo informativo. Nada neste site é recomendação de investimento, compra ou venda de ativos. Antes de investir, busque um profissional certificado.



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