Desapego que vira dinheiro: como vender itens parados e fazer uma renda extra antes do fim do ano
Roupas, celulares antigos, móveis e videogames esquecidos podem render mais de R$ 3 mil. Veja o que mais vende, como definir o preço, como anunciar e, principalmente, como vender sem cair em golpes.
Abra o guarda-roupa, o armário da área de serviço ou aquela gaveta “de bagunça”. Há grandes chances de você encontrar coisas que não usa há meses: o celular antigo, a bicicleta parada, a roupa que nunca serviu direito, o videogame que ninguém liga mais. Para você, é espaço ocupado. Para outra pessoa, pode ser exatamente o que ela está procurando.
Vender itens usados, o famoso desapego, é uma das formas mais rápidas de fazer uma renda extra: não exige investimento, não exige curso e o dinheiro pode cair na conta em poucos dias. E o fim do ano é uma ótima época para isso, porque muita gente procura presentes e itens para casa gastando menos.
Quanto dá para ganhar
Um levantamento da OLX divulgado pela CNN Brasil em 2025 dá uma ideia do potencial:
- Os brasileiros esperam arrecadar, em média, R$ 1.874 com a venda de produtos de segunda mão.
- Vender de 4 a 6 itens pode render cerca de R$ 1 mil.
- Com 7 ou mais itens, o valor pode passar de R$ 3 mil.
As categorias com mais anúncios na plataforma foram roupas (52%), eletrônicos (48%) e acessórios e sapatos (42%), seguidas de eletrodomésticos e livros.
O que costuma vender bem
- Celulares e eletrônicos: aparelhos funcionando, com carregador e sem marcas fortes de uso, têm saída rápida.
- Videogames e jogos: consoles antigos e jogos físicos têm público fiel, inclusive colecionadores.
- Roupas e calçados em bom estado: peças de marca, roupas de festa e roupas infantis, que perdem o uso rápido, vendem bem.
- Móveis e eletrodomésticos: procurados por quem está montando a primeira casa. Atenção ao frete, que costuma ser combinado com o comprador.
- Itens de bebê: carrinhos, berços e cadeirinhas são usados por pouco tempo e muito procurados.
Passo a passo para vender mais rápido
- Separe e limpe: um produto limpo e organizado parece mais valioso. Teste se tudo funciona.
- Pesquise o preço: procure o mesmo item usado nas plataformas de venda e veja quanto está sendo pedido. Um bom ponto de partida é ficar um pouco abaixo da média dos anúncios parecidos.
- Tire boas fotos: use luz natural, fundo neutro e mostre o produto de vários ângulos, incluindo eventuais defeitos. Fotos honestas evitam devolução e reclamação.
- Escreva um anúncio completo: marca, modelo, tamanho, tempo de uso, estado de conservação e o que acompanha. Exemplo: “Bicicleta aro 26, 21 marchas, pouco uso, pneus novos, com marcas leves no quadro”.
- Escolha onde anunciar: plataformas de classificados, aplicativos de moda de segunda mão, grupos do bairro nas redes sociais e até o status do WhatsApp.
- Responda rápido: quem responde primeiro costuma vender primeiro.
Exemplo: a Patrícia separou um celular antigo, um carrinho de bebê, cinco peças de roupa de festa e um videogame com dois jogos. Ela anunciou tudo em um fim de semana, com fotos feitas na varanda. Em três semanas, vendeu quase tudo e juntou dinheiro para as compras de Natal sem mexer no salário.
Cuidado com os golpes
Onde há dinheiro circulando, há golpistas. Os mais comuns na venda de usados:
- Comprovante falso de Pix: o “comprador” manda um print de pagamento que nunca aconteceu. Só entregue o produto depois de ver o dinheiro no extrato do seu banco, e não no print.
- Link falso de “pagamento garantido”: o golpista envia um link que imita a página da plataforma e pede seus dados bancários ou cartão para “liberar o pagamento”. Nunca clique em links recebidos por mensagem: use apenas o aplicativo oficial.
- Código de verificação: se alguém pedir um código que chegou por SMS no seu celular, é tentativa de clonar o seu WhatsApp. Não informe.
- Encontro presencial: combine em locais movimentados, como a entrada de um shopping, de dia, e vá acompanhado.
Para se proteger também dos golpes com inteligência artificial, que estão cada vez mais sofisticados, leia o nosso guia sobre o golpe da voz clonada.
E se eu gostar de vender?
Muita gente começa pelo desapego e descobre que leva jeito para vender. Há quem passe a garimpar roupas em bazares para revender, a consertar móveis antigos ou a revender eletrônicos usados. Nesse caso, vale prestar atenção a uma diferença importante: vender de vez em quando as próprias coisas é uma coisa; comprar produtos para revender com frequência já é uma atividade comercial.
Se as vendas virarem rotina, considere se formalizar como MEI (Microempreendedor Individual). Com CNPJ, você pode emitir nota fiscal, contribuir para o INSS e ter acesso a benefícios como aposentadoria e auxílio-doença. Para definir o preço de produtos que você compra para revender, use a nossa calculadora de precificação.
Conclusão
O desapego é uma renda extra simples, rápida e que ainda libera espaço em casa. Com fotos caprichadas, anúncios completos e preço justo, aquilo que estava parado vira dinheiro, muitas vezes em poucos dias. Só não esqueça a regra de ouro: entregue o produto apenas depois de conferir o pagamento no aplicativo do seu banco.
O que você tem parado em casa que poderia virar dinheiro? Conte nos comentários e compartilhe este artigo no WhatsApp com quem vive dizendo que precisa “dar um jeito” no armário.
Fonte: levantamento da OLX divulgado pela CNN Brasil (2025).


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