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Golpe da voz clonada e deepfake: como a IA está sendo usada para enganar e como se proteger

Golpistas já clonam vozes e rostos com IA para pedir Pix. Veja como funcionam os golpes com deepfake, os sinais de alerta e como proteger sua família.

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Foto de BiljaST no Pixabay

Golpistas já conseguem imitar a voz e até o rosto de alguém com inteligência artificial para pedir dinheiro. Entenda como funciona, veja os sinais de alerta e as atitudes simples que protegem você e a sua família.

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Foto de David Hahn no Unsplash

O telefone toca. Do outro lado, a voz do seu filho, chorando: “Mãe, bati o carro, preciso de dinheiro agora, faz um Pix para este número”. O sotaque é dele, o jeito de falar é dele, a respiração nervosa é dele. Só que não é ele.

Esse é o golpe da voz clonada, uma das fraudes que mais crescem no Brasil com a popularização da inteligência artificial. Junto com ele vêm os deepfakes, vídeos falsos em que o rosto e a voz de uma pessoa real são recriados por computador. Neste artigo, explicamos como esses golpes funcionam e, principalmente, o que fazer para não cair neles.

O tamanho do problema

Os números mostram que não se trata de exagero:

  • O uso de deepfakes em golpes cresceu 830% no Brasil entre 2024 e 2025, segundo dados da Polícia Federal citados pela Exame.
  • Ferramentas de inteligência artificial estiveram presentes em 42,5% das fraudes financeiras registradas no país no mesmo período, também segundo a Polícia Federal.
  • Cerca de 24 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes por Pix ou boleto entre julho de 2024 e junho de 2025, com prejuízo estimado em quase R$ 29 bilhões, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
  • Em conteúdos falsos checados pelo Observatório Lupa, o uso de IA saltou de cerca de 5% para quase 26% em apenas um ano.

Como a IA clona uma voz ou um rosto

Pense em um imitador de programa de humor: ele ouve uma pessoa várias vezes até aprender o tom, o ritmo e as expressões dela. A inteligência artificial faz algo parecido, só que muito mais rápido. Com poucos segundos de áudio, como um vídeo publicado em rede social ou um áudio encaminhado no WhatsApp, programas de IA conseguem recriar a voz de alguém e fazê-la “dizer” qualquer frase.

Com vídeos, a lógica é a mesma: a partir de fotos e gravações, a IA gera um rosto que se move e fala. O caso mais famoso aconteceu em Hong Kong, onde um funcionário de uma multinacional transferiu cerca de US$ 25 milhões depois de participar de uma videochamada em que todos os outros “colegas” eram imagens criadas por IA.

Os golpes mais comuns no Brasil

GolpeComo funciona
Parente em apurosLigação ou áudio com a voz clonada de um filho, neto ou cônjuge pedindo dinheiro urgente por causa de acidente, prisão ou assalto.
Famoso que indica investimentoVídeo de uma celebridade ou apresentador conhecido recomendando um investimento milagroso, uma rifa ou um produto. O vídeo é falso.
Falso chefeMensagem ou ligação com a voz do “chefe” pedindo uma transferência ou o pagamento de um boleto com urgência.
Falso banco ou órgão públicoLigação com voz profissional, às vezes gerada por IA, avisando de um problema na conta, no INSS ou no Imposto de Renda e pedindo dados ou um Pix.

Em todos eles, o roteiro se repete: emoção forte + urgência + pedido de dinheiro, quase sempre por Pix, porque a transferência é instantânea.

Sinais de alerta

  • Pressa demais: “tem que ser agora”, “não conta para ninguém”, “não dá para ligar depois”.
  • Número desconhecido: a pessoa diz que “perdeu o celular” ou “está usando o telefone de um amigo”.
  • Pix para terceiros: o dinheiro precisa ir para a conta de outra pessoa, nunca para a de quem está pedindo.
  • Oferta boa demais: investimento com retorno garantido ou produto muito abaixo do preço, anunciado por um famoso.
  • Texto perfeito não é garantia: com IA, as mensagens falsas já não têm os erros de português que antes denunciavam o golpe.

Como se proteger: 6 atitudes simples

  • Combine uma palavra-código com a família. Uma palavra que só vocês conhecem, para usar em emergências. Se a “voz” não souber a palavra, desconfie.
  • Desligue e ligue de volta. Encerre a ligação e telefone você mesmo para o número que já tem salvo da pessoa ou para o número oficial do banco.
  • Faça uma pergunta pessoal. Algo que só a pessoa saberia, como o nome do primeiro cachorro ou onde vocês passaram o último Natal.
  • Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp, no e-mail, nas redes sociais e nos aplicativos de banco.
  • Reduza a exposição da sua voz. Perfis abertos com muitos vídeos e áudios facilitam o trabalho dos golpistas. Revise a privacidade das suas redes.
  • Converse com os mais velhos. Pais e avós costumam ser os alvos preferidos. Explique o golpe e combine a palavra-código com eles também.

Caiu no golpe? Aja rápido: avise o seu banco imediatamente e peça a contestação pelo MED, o Mecanismo Especial de Devolução do Pix, que pode bloquear o dinheiro na conta do golpista. Depois, registre um boletim de ocorrência, que pode ser feito pela internet na maioria dos estados.

Conclusão

A inteligência artificial deixou os golpes mais convincentes, mas a defesa continua sendo a mesma de sempre: desconfiar da urgência e confirmar antes de pagar. Uma palavra-código combinada em família e o hábito de desligar e ligar de volta valem mais do que qualquer tecnologia. Na dúvida, não faça o Pix.

Envie este artigo no grupo da família no WhatsApp e aproveite para combinar a palavra-código hoje mesmo. Já recebeu uma ligação suspeita? Conte nos comentários para alertar outros leitores.

Fontes: Exame (dados da Polícia Federal e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública) e Observatório Lupa, via ASA.

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